Cordel do Espelho refratário
Ó gente, chegou o poeta pra contar o que é sabido, não é fofoca de rua, é fato bem confundido com nome, data e lugar, tudo com prova e sentido. **I — Nikollyz e o banheiro** Teve um moço em Brasília que subiu na tribuna erguida, falou de porta e de banho, de mulher e de medida, disse rindo: "sou Nicolyz" — ironia mal cabida. Chamou pai contra "marmanjo", esporte, beleza e razão, mas Lira, o presidente, deu no peito reprimenção: "plenário não é palco de exibição e blasão." **II — Loris e a conta que estoura** Vinte de dezembro frio, trezentos e trinta e um votou, o teto ficou mais largo, bilhão sobre bilhão pousou. No dia vinte e um, de novo, o mesmo placar sobrou. Falou de austeridade, prometeu freio e control', mas a conta foi aberta como se fosse um lençol — quem jura por moderação e solta a corda do sol. **III — Kikinha e a mentira sem lei** Disse a moça na tribuna, com a voz que não vacilou: "mentira não é crime, pecado sim, mas passou" —...