Cordel do Espelho refratário
Ó gente, chegou o poeta
pra contar o que é sabido,
não é fofoca de rua,
é fato bem confundido
com nome, data e lugar,
tudo com prova e sentido.
**I — Nikollyz e o banheiro**
Teve um moço em Brasília
que subiu na tribuna erguida,
falou de porta e de banho,
de mulher e de medida,
disse rindo: "sou Nicolyz" —
ironia mal cabida.
Chamou pai contra "marmanjo",
esporte, beleza e razão,
mas Lira, o presidente,
deu no peito reprimenção:
"plenário não é palco
de exibição e blasão."
**II — Loris e a conta que estoura**
Vinte de dezembro frio,
trezentos e trinta e um votou,
o teto ficou mais largo,
bilhão sobre bilhão pousou.
No dia vinte e um, de novo,
o mesmo placar sobrou.
Falou de austeridade,
prometeu freio e control',
mas a conta foi aberta
como se fosse um lençol —
quem jura por moderação
e solta a corda do sol.
**III — Kikinha e a mentira sem lei**
Disse a moça na tribuna,
com a voz que não vacilou:
"mentira não é crime,
pecado sim, mas passou" —
votou contra a lei das fakes,
liberdade ela chamou.
Mas quem defende a mentira
com tanto e tanto argumento,
também apoia a mordaça
noutro canto e noutro intento —
dois pesos numa balança,
que não bate seu momento.
**IV — Fernandes e a calúnia**
Não é de vídeo antigo
que este verso vem tratar,
foi moço de riso fácil,
depois quis se emendar.
Confessou o arrependimento,
mas outra dívida há de pagar:
Acusou sem nenhuma prova
moça jornal e sua honra,
cinquenta mil foi a conta
que a justiça lhe desonra.
Quem se diz moral e certo
que primeiro se aprumo, e conta.
**Final**
Assim termina o cordel,
sem mentira, sem enfeite,
cada verso tem sua fonte,
cada fato o seu proveito.
Poeta canta o que é provado,
o resto — o povo é que aceite.
Comentários
Postar um comentário